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Cidadão de Bens
   José Orlando  Silva  │     26 de outubro de 2017   │     13:40  │  0

É possível que ao ver esse título, você tenha a principio, questionado: ele não quis dizer cidadão de bem?”  Na verdade gostaria de dizer cidadão de bem, mas há uma diferença entre querer dizer e poder dizer. Este termo foi proferido e  estabelecido em uma classe que estava de Psicologia Social, cuja critica justificável se dava no ativismo social desenfreado e sem precedentes em que vivemos. Entende-se por ativismo, no contexto da filosofia que incentiva a cidadania, como à corrida frenética e cotidiana atrás da busca de tudo o que a gente necessita e mesmo do que a gente não precisa, mas acha que não pode deixar de ter… trabalha-se dia e noite para responder aos apelos e propostas do consumo que nos são impostos… atrelando os produtos e bens materiais ao que seremos ao adquiri-los.

Ao assumirmos esse estilo de vida deixamos de ser  cidadãos de bem, almejando ser cidadãos de bens. E uma das principais razões se dá, porque pelo que adquirimos  passaremos a ser vistos, notados e respeitados, a despeito da dívida que contraiamos. O seu valor é estampado pelo que você carrega nas marcas que você orgulhosamente estampa, deixando de ser quem é, para ser quem tem. Nesse momento se instaura uma captura de sua autonomia e criticidade, ações que nos tornam cidadãos. Não é uma discussão meramente socialista ou capitalista. Karl Marx ao trazer o marxismo, desperta algo que vai além do fato de muitos terem poucos e poucos terem muito.  Ele ressalta e destaca valores como dignidade, identidade, autonomia e poder decisório frente a sua história de vida.

E nesse ativismo que substitui a vida ativa e plena que deveríamos ter desenvolvendo a heteronomia, nos leva a inquestionável conclusão de Schopenhauer quando destaca o vazio existencial que tal estilo de vida abarca quando ele afirma que “a vida é uma constante oscilação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir”.  O que te torna cidadão de bem não está atrelado prioritariamente ao ter e ao possuir. Mas ao ser. E nesse pensamento, mérito para Jesus Cristo, quando acentuou aos que o seguiam em seus evangelhos que Ele visava uma construção social, emocional, física e espiritual dos que o buscavam. Por isso investiu no ser integral. Não está na hora de revermos nossos conceitos?

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